"Eu tive um sonho era bonito assim, e eu podia flutuar nos meus balões,
e era tudo colorido e tão macio, que até o chão da minha sala era feito de algodão..."
E eu acordei sorrindo, ultimamente ando sorrindo muito,
e é claro que eu sei o que se passa, oras.
sei principalmente nas horas que ele está do lado,
desbotando a minha cor rubra (como aconteceu com aquele peixe)
presente agora nas ressacas de ternura, de manhã cedo.
Queria mesmo ser daquele jeito doce,
mas sou tão despudorada que minhas maçãs não coram,
e o impulso é vida quando sai da minha garganta qualquer verdade estúpida,
e ele me olhando incrédulo 'é a coisa mais bonitinha que tem'.
Ele não entende de tintas, eu não sei nada de cores,
mas o peixinho é amarelo, o lápis é cinza-claro
e a pele dele com a minha é um contraste que eu adoro ver.
O carinho na nuca me comove e estamos ficando mal acostumados,
com a irresponsabilidade segurando nossas mãos
e ando tão boba que quase acredito quando ele diz que sou tão linda.
A culpa é dele, por essa calmaria que logo vai virar saudade,
essa pieguice estranha e a prolixidade branda me impedindo um desfecho breve,
mas é que todo esse meu riso jamais caberia num papel de halls.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
bege
olho vermelho de flash, maçãs podres de amor
o sangue não pára de pingar
e tudo é ainda vermelho, vermelho
sem foco e morno,
porque meu corpo esfriou de súbito
como acontece com os machos que tem asco,
e eu tesa estagnei intacta
extintor também vermelho, fez da chama fiasco azul.
- Prefiro respirar...
preciso há cinco meses, sete chaves, um ano só
triturar toda a doçura fúnebre que nunca jaz,
que nunca dorme,
torturando-me com agulhas fincadas
nos cantos que mais sinto dor:
olhos queimados, orgulho trêmulo.
a cara amedrontada de vingança
enfiada nas penas do teu travesseiro
sufoca um pouco pra morrer um pouco
mas daí volta brilhando como luz neon
fora de moda e triste
como é a nostalgia que agora eu abracei.
sei que os teus panos cheiram pútridos
dos líquidos da novidade
e não, não use perfumes,
não precisa mais lavar as mãos
porque agora gozo é só um instante quente
(e não é isso que me beija a alma)
capa de toureiro, sangue desse bicho
o céu escureceu e ficou preto sem nuvens
e o câncer sai tossido aos poucos da minha garganta
enquanto toda essa lama ainda continua bege.
(...)
o sangue não pára de pingar
e tudo é ainda vermelho, vermelho
sem foco e morno,
porque meu corpo esfriou de súbito
como acontece com os machos que tem asco,
e eu tesa estagnei intacta
extintor também vermelho, fez da chama fiasco azul.
- Prefiro respirar...
preciso há cinco meses, sete chaves, um ano só
triturar toda a doçura fúnebre que nunca jaz,
que nunca dorme,
torturando-me com agulhas fincadas
nos cantos que mais sinto dor:
olhos queimados, orgulho trêmulo.
a cara amedrontada de vingança
enfiada nas penas do teu travesseiro
sufoca um pouco pra morrer um pouco
mas daí volta brilhando como luz neon
fora de moda e triste
como é a nostalgia que agora eu abracei.
sei que os teus panos cheiram pútridos
dos líquidos da novidade
e não, não use perfumes,
não precisa mais lavar as mãos
porque agora gozo é só um instante quente
(e não é isso que me beija a alma)
capa de toureiro, sangue desse bicho
o céu escureceu e ficou preto sem nuvens
e o câncer sai tossido aos poucos da minha garganta
enquanto toda essa lama ainda continua bege.
(...)
mein mongenstern. (II)
Eu sempre soube que ela gosta de sofrer.
Gene dominante, quase externo, por isso somos ela e eu.
E damos as mãos.
As dela são tão macias de displicente cuidado. Ela não usa cremes caros, quase não trata as unhas nem as colore com esmaltes chamativos, limitando-as a tons sempre parecidíssimos de cintilante mediano e branco. Mãos de quarenta e um anos.
As minhas não são bonitas.
Mastigo as bordas das minhas carnes, tirando as cutículas e sangue,e por conveniência ou ansiedade, quase nunca uso esmaltes pra não ter que me enfeitar.
A destra sempre segura meus apoios e é a que mais se arrisca a cheiros fortes de tabaco e vida. A canhota é limpa e não me serve.
A minha mãe não deveria afagar-me, nem beijar minhas maçãs; Não me sinto digna das suas insônias nem de sua ternura mais enrugada e macia que as minhas mãos estúpidas, de dedos tortos.
(Mas ela gosta de sofrer...)
Os meus olhos estão vermelhos de cansaço e esperança, porque são duas da manhã e eu ainda penso inutilidades calejadas enquanto ela dorme ali tranquila porque eu já cheguei da rua e agora está tudo muito bem.
Gene dominante, quase externo, por isso somos ela e eu.
E damos as mãos.
As dela são tão macias de displicente cuidado. Ela não usa cremes caros, quase não trata as unhas nem as colore com esmaltes chamativos, limitando-as a tons sempre parecidíssimos de cintilante mediano e branco. Mãos de quarenta e um anos.
As minhas não são bonitas.
Mastigo as bordas das minhas carnes, tirando as cutículas e sangue,e por conveniência ou ansiedade, quase nunca uso esmaltes pra não ter que me enfeitar.
A destra sempre segura meus apoios e é a que mais se arrisca a cheiros fortes de tabaco e vida. A canhota é limpa e não me serve.
A minha mãe não deveria afagar-me, nem beijar minhas maçãs; Não me sinto digna das suas insônias nem de sua ternura mais enrugada e macia que as minhas mãos estúpidas, de dedos tortos.
(Mas ela gosta de sofrer...)
Os meus olhos estão vermelhos de cansaço e esperança, porque são duas da manhã e eu ainda penso inutilidades calejadas enquanto ela dorme ali tranquila porque eu já cheguei da rua e agora está tudo muito bem.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
monólogo do papel crepom
Tu devias relevar os meus impulsos, meu amor.
Eu furtiva não funciono. Sempre me dôo mais do que prometo;
Me desgasto e quase te esqueço quando sinto outros cheiros e outras mãos, me perdoando logo em seguida quando percebo que nessas horas é tu que não te lembras de mim.
(A culpa é tua!)
Há meses grito com o espelho do banheiro palavras de boca machucada de frio; Rasgo os meus verbos, meu versos, meus lábios, pra ver se te enxergo de olhos fechados, costurando minhas feridas com um esforço suave, apesar de cálido, como num blues de pesar, de se abraçar às pernas. (As palavras são tuas!)
Os homens tem cheiro de homens, mas eu só penso no teu cheiro de céu, que se acostumou tão bem à minha pele que de vez em quando me acarinha os pontos, passeando equilibrado, como tu fazia antes pelas minhas linhas. (A culpa é tão minha...)
Eu sou tão nova e poderia me criar, mas não quero.
Tu podias tanto relevar...
Já faz um ano que tu moras no meu ego, no meu fôlego, nos meus dedos e poros.
Então vai, troca as cores dos teus lençóis, enxuga as suas mãos bonitas, me toca um verso de uma nota só...
...Dezembro é ainda primavera, meu amor.
Eu furtiva não funciono. Sempre me dôo mais do que prometo;
Me desgasto e quase te esqueço quando sinto outros cheiros e outras mãos, me perdoando logo em seguida quando percebo que nessas horas é tu que não te lembras de mim.
(A culpa é tua!)
Há meses grito com o espelho do banheiro palavras de boca machucada de frio; Rasgo os meus verbos, meu versos, meus lábios, pra ver se te enxergo de olhos fechados, costurando minhas feridas com um esforço suave, apesar de cálido, como num blues de pesar, de se abraçar às pernas. (As palavras são tuas!)
Os homens tem cheiro de homens, mas eu só penso no teu cheiro de céu, que se acostumou tão bem à minha pele que de vez em quando me acarinha os pontos, passeando equilibrado, como tu fazia antes pelas minhas linhas. (A culpa é tão minha...)
Eu sou tão nova e poderia me criar, mas não quero.
Tu podias tanto relevar...
Já faz um ano que tu moras no meu ego, no meu fôlego, nos meus dedos e poros.
Então vai, troca as cores dos teus lençóis, enxuga as suas mãos bonitas, me toca um verso de uma nota só...
...Dezembro é ainda primavera, meu amor.
sábado, 8 de novembro de 2008
saideira (de março)
Sabes o que eu faço com o teu amor?
Pois o dispo com olhares serventes e mal comportados que se espalham,
livram-se do castigo de não te sentir e cansados, acabam por se cerrar.
Sou alheia às tuas cenas sôfregas de bebedeira.
Lembro-me de todo aquele "quase" e de quando pintei-me do medo de nunca mais,
que talvez por isso veio em mãos, em cachos, remoendo-me de rancor.
Achas mesmo que com teus lábios tu beijas minha alma?
Tu tocas apenas o meu corpo hirto!
Já não finjo mais quando deixo-me absorver pelos paradoxos absurdos que separam
o meu corpo do tino. Reajo ao teu hálito quente que comove minha nuca frígida
e ignorante aos teus murmúrios embriagados, e já que teus lábios por hora me satisfazem, consinto, te fitando com frieza e cansaço.
Admiro-me cínica quando pousas em mim tuas palavras de amor que de tão brandas e
tão ingênuas, me anulam e enxem meu peito de gelo e mágoa.
Assisto o teu dormir sereno, a boca entreaberta num riso idiota, satisfeito por morar
tão bem no meu desânimo.
Meus dedos livram-se de mim por essas linhas e parágrafos e quase lamentam
o quanto essa inércia me acalanta. E me corrói.
Pois o dispo com olhares serventes e mal comportados que se espalham,
livram-se do castigo de não te sentir e cansados, acabam por se cerrar.
Sou alheia às tuas cenas sôfregas de bebedeira.
Lembro-me de todo aquele "quase" e de quando pintei-me do medo de nunca mais,
que talvez por isso veio em mãos, em cachos, remoendo-me de rancor.
Achas mesmo que com teus lábios tu beijas minha alma?
Tu tocas apenas o meu corpo hirto!
Já não finjo mais quando deixo-me absorver pelos paradoxos absurdos que separam
o meu corpo do tino. Reajo ao teu hálito quente que comove minha nuca frígida
e ignorante aos teus murmúrios embriagados, e já que teus lábios por hora me satisfazem, consinto, te fitando com frieza e cansaço.
Admiro-me cínica quando pousas em mim tuas palavras de amor que de tão brandas e
tão ingênuas, me anulam e enxem meu peito de gelo e mágoa.
Assisto o teu dormir sereno, a boca entreaberta num riso idiota, satisfeito por morar
tão bem no meu desânimo.
Meus dedos livram-se de mim por essas linhas e parágrafos e quase lamentam
o quanto essa inércia me acalanta. E me corrói.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
carta de dois fôlegos.
A ti,
embrulho as minhas ternuras num pedaço de papel grená porque não sei fazer caprichos nem desenho muito bem não entendo de cores e acho feio marcar de batom o que me é tão limpo, até porque eu só quero que tu te lembres da minha boca enquanto tua em beijos secos que são dignos de palavras como "amor" que são tão lindas e tão desinteressantes (as palavras, não os beijos).
escrevo atenciosa o que há de mais sereno aonde exista mais candura o que é macio e azul porque são as besteiras mais doces que posso reunir agora e te entregar nesse papel amassado e virgem como são as minhas mãos escrevendo pela primeira vez uma carta de amor.
Amor amor amor:
Frizando assim porque aproveito do meu ímpeto de esquecimento do que eu realmente sou, uma hora dessas a lucidez já tá dormindo e o que existe é apenas tinta deslizando devaneios e eu não vou dar-me o luxo do convencional porque lembrei-me que mesmo se quisesse nem uso batom nem faço poesia então te beijo aqui de longe com os olhos fechados e aperto bem a boca
(pra ser bem ternura) e faço isso bem de longe pra não te acordar
na mesma hora em que eu respiro
e desanuviada
me lembro que não posso tocar-lhe as mãos
(mas talvez eu nem me importe tanto)
já que nem conheço quem tu és.
embrulho as minhas ternuras num pedaço de papel grená porque não sei fazer caprichos nem desenho muito bem não entendo de cores e acho feio marcar de batom o que me é tão limpo, até porque eu só quero que tu te lembres da minha boca enquanto tua em beijos secos que são dignos de palavras como "amor" que são tão lindas e tão desinteressantes (as palavras, não os beijos).
escrevo atenciosa o que há de mais sereno aonde exista mais candura o que é macio e azul porque são as besteiras mais doces que posso reunir agora e te entregar nesse papel amassado e virgem como são as minhas mãos escrevendo pela primeira vez uma carta de amor.
Amor amor amor:
Frizando assim porque aproveito do meu ímpeto de esquecimento do que eu realmente sou, uma hora dessas a lucidez já tá dormindo e o que existe é apenas tinta deslizando devaneios e eu não vou dar-me o luxo do convencional porque lembrei-me que mesmo se quisesse nem uso batom nem faço poesia então te beijo aqui de longe com os olhos fechados e aperto bem a boca
(pra ser bem ternura) e faço isso bem de longe pra não te acordar
na mesma hora em que eu respiro
e desanuviada
me lembro que não posso tocar-lhe as mãos
(mas talvez eu nem me importe tanto)
já que nem conheço quem tu és.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
quando me vem o acalanto é quando me cria a compaixão.
eu não poderia jamais afastar suas mãos dos meus cabelos,
sabendo que teu consolo precisa saber das minhas tristezas.
(eu posso até chorar pra que tu não percas tal cargo)
eu não posso sentir raiva de tua cor de ouro
(principalmente dela é que não posso sentir raiva),
não posso sequer exigir-lhe que te difiras de mim.
e aí quando tu me perguntares por que choro,
e quando eu invariávelmente disfarçar minha lucidez
(com meu gosto amaro de cerveja e tabaco)
portarei-me como a mais vil das pecadoras,
(das mais líricas pecadoras)
pra que tu me devores com seus olhos lilases
e transcreva toda a minha conduta rubra
para a sua candura fria
(de ciano e amarelo).
sabendo que teu consolo precisa saber das minhas tristezas.
(eu posso até chorar pra que tu não percas tal cargo)
eu não posso sentir raiva de tua cor de ouro
(principalmente dela é que não posso sentir raiva),
não posso sequer exigir-lhe que te difiras de mim.
e aí quando tu me perguntares por que choro,
e quando eu invariávelmente disfarçar minha lucidez
(com meu gosto amaro de cerveja e tabaco)
portarei-me como a mais vil das pecadoras,
(das mais líricas pecadoras)
pra que tu me devores com seus olhos lilases
e transcreva toda a minha conduta rubra
para a sua candura fria
(de ciano e amarelo).
Assinar:
Postagens (Atom)